Este é talvez o meu segundo artigo desde que escrevo que não vou falar directamente sobre vendas.

Como faço todos os anos, venho ao Brasil para umas férias e um merecido descanso junto de familiares e amigos. Todos os dias leio os jornais aqui do Espírito Santo e o de ontem dia 15/02 a leitura despertou o meu interesse pois a principal noticia que eles traziam era: “Brasil volta ao trabalho a partir de hoje”. Fiquei a matutar sobre esta noticia e depois de ler eis os principais pontos que concluí sobre o que aconteceu entre o dia 1 de Janeiro e o dia 15 de Fevereiro de 2016:

  • O país parou em férias de verão e por causa do calor de Janeiro não era bom para trabalhar;
  • A partir de 10 de Janeiro o país parou para esperar pelo carnaval que só aconteceu no dia 9 de Fevereiro;
  • Aqui em Vitória desde o dia 2 de Janeiro que o estado parou para preparar o carnaval capixaba que acontece uma semana antes do carnaval do Rio de Janeiro, ou seja nos dias 30 e 31 de Janeiro já era carnaval em Vitória.
  • O jornal a Tribuna fez uma estimativa do que gastaram os deputados e políticos do estado durante o “recesso de verão” e o mais gastador, conseguiu só em Janeiro gastar em despesas extraordinárias cerca de R$180.000, ou seja, 45.000 € (ao cambio de €1,00=R$4,00);
  • As escolas que diziam que no inicio de Fevereiro iriam começar as aulas, na verdade só voltaram a receber os alunos no dia 15 de Fevereiro;
  • O comércio que estava na ganância frustrada de tentar ganhar dinheiro com o carnaval e com o verão, viu a vaca ir para o brejo pois a crise económica que o Brasil vive está a fechar lojas e empresas todos os dias;
  • Apesar de haver muito mais fiscalização e monitorização por circuito fechado de televisão das ruas da cidade, no jornal dizia que uma criança de 11 anos tinha sido apanhada a assaltar uma senhora e este pequeno delinquente já tinha passado pela polícia somente 30 vezes e em todas elas foi solto por que era “de menor”.
  • O nível de violência aumentou drasticamente devido a crise. Aqui as pessoas não vêem as que são bem sucedidas como alguém a tentar imitar e ser também alguém de sucesso. Não. Aqui pensam que se ele tem e eu não tenho, então eu vou assaltar para ter o que ele tem. Dá muito menos trabalho, mesmo quando depois de ser preso diga que ao sair cá para fora vai deixar de assaltar e passar a matar mais.
  • O Espírito Santo que se gaba de ter uma das capitais mais bonita do país, Vitória, tem na sua praia principal e cartão postal – Praia de Camburi – interdita a banhos por ter um excesso de coliformes fecais quase 100% acima do mínimo exigido. Para tirar a culpa dos políticos o Secretário de Estado da Saúde vai ao jornal dizer que a culpa é dos municípios vizinhos que despejam os seus resíduos fecais directamente num córrego e não no sistema de esgoto.
  • Está muito calor, as temperaturas estão sempre acima dos 30º e enquanto nos estados vizinhos todos os bares ao pé da praia são regulamentados para poderem usar parte da areia para a actividade comercial, o governo do Estado e Local ao invés de aprender com os pares e fomentar o turismo, faz tudo ao contrário, ou seja, proíbem as pessoas de usufruírem certos locais em nome da “protecção” da restinga – vide caso de Manguinhos onde fecharam parte da praia e já não há local para estarmos ou o caso mais gritante que era o restaurante do Jacir (Pierrot da Praia) onde era o meu ponto de verão, que proibiram o dono de por mesas e cadeiras na praia e impedido de comercializar o que quer que seja aos frequentadores das areias a frente do restaurante;
  • Com os bares impedidos de porem cadeiras e mesas na praia, elas são invadidas por ambulantes com caixas de esferovite (isopor) que abancam e passam a vender cervejas, águas, churrasco, coco e tudo o que quiserem, sem ter fiscalização ou qualidade. É a lei do salve-se quem puder. Ambulantes nas praias e os donos de restaurantes na porta a pedir pelo amor de Deus que apareça um cliente.
  • Na praia, fiquei abismado com a quantidade de vendedores ambulantes que passaram por mim a tentar vender de tudo um pouco. Há cerca de dois anos, diria que a idade média destas pessoas eram os 30 anos. Hoje há até pessoas a beirarem os 70/75 anos a venderem na praia pois o rendimento que auferem de aposentadoria já não dá para sobreviver.
  • Os donos de estabelecimentos comerciais viram as suas despesas de água, luz, telefone e impostos aumentar drasticamente no inicio do ano, tudo em nome da crise e da necessidade de fundos para gerir o Estado e as empresas que o estado gere;
  • Nos shoppings e nas lojas de bairro que passeei vi imensa gente a passear pelas ruas e corredores porém os trabalhadores das lojas a porta a ver a “banda passar”. Mesmo com o início da época de liquidação, não há quem entre nas lojas.
  • O Governo Federal, ameaça voltar com um imposto chamado CPMF que é Comissão Por Movimentos Financeiros, onde por cada transacção bancária que façamos, há uma percentagem do valor que é deduzido como imposto CPMF;
  • Todos estão apostando nas olimpíadas para aumentar o fluxo de estrangeiros no país e com isso dar um impulso a economia, mas um mosquito aparece a transmitir uma doença de nome Zika que já fez muitas agencias de viagem cancelarem estadias em vários hotéis devido o medo de apanhar a doença.
  • Por fim, a única coisa que posso dizer de positivo é que os barzinhos continuam apinhados de gente a beber cerveja sempre que há uma partida de futebol. Mesmo com um aumento de 40% relativo ao preço que paguei o ano passado por uma garrafa, vejo que nisso não há crise que dê cabo.

Para a semana trago um novo tema para um artigo que o vai ajudar a ser melhor profissional.

Só me resta dizer uma coisa: Muito obrigado, pense nisso e boas vendas.

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Wilques Erlacher

Coach de Desenvolvimento & Transformacional, membro da ICF – International Coach Federation com o nº 9120494 e Director de Vendas na Saphety (empresa do Grupo Sonae). Há mais de 20 anos que trabalho em funções relacionadas com Marketing, Vendas Corporativas, Desenvolvimento de Negócios, Gestão de Clientes, Formação, Mentoria e Consultoria em Vendas. Fui Presidente da Direcção na OV-APPV Associação Portuguesa dos Profissionais de Vendas e trabalhei na Petrogal (actualmente Galp Energia), na Agência Reuters Portugal, na Bull Portuguesa, na Novis Telecom e Mainroad (grupo Sonaecom). Sou keynote speaker, formador e mentor de equipas de vendas, desenvolvi e pratico a metodologia "Venda Melhor – A Fórmula que muda a forma de ser". Trabalho como Coach no desenvolvimento de profissionais em clientes empresarias em Portugal, Colômbia, Brasil, Espanha, França, Itália, Quénia e Cazaquistão. Acredito que há um potencial a ser trabalhado em cada um dos meus clientes, de forma única. O meu lema é “Coaching: It’s all about execution!” Quer falar comigo sobre como ser melhor profissional? email: we@wilqueserlacher.com Skype: w.erlacher telefone: +351 932 558 558