Quando o vendedor é igual ao político

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No dia 23 de Janeiro próximo, os portugueses vão ser chamados as urnas para eleger um novo Presidente. Calma, não vou fazer nenhum artigo a elogiar qualquer candidato. O que vos venho falar hoje, tem mais a ver com a forma como nesta altura das campanhas, os políticos saem a rua a cumprimentar e dar beijinhos em todas as senhoras, a apertar a mão a toda a gente que lhe passe pela frente e a espalhar sorrisos por todo o lado que passa.

Ao ver esta romaria que todos os candidatos estão a fazer, deu-me um clique sobre como é que esta função de político em campanha, pode ser comparada com a profissão de vendedor. Sabe uma coisa, achei imensas coisas que mais os unem do que as que separam.

Então, se puder, responda-me as seguintes questões:

Alguma vez na sua vida, depois de ter ajuda a eleger alguém, seja para que cargo for, desde um presidente de uma junta de freguesia (em Portugal) ou um prefeito (no Brasil), notaram que simplesmente depois de ter o negócio fechado, a favor dele, nunca mais se lembra de voltar a falar connosco?

E quantos vendedores já conheceu na vida que também, depois de fechar um negócio connosco, nunca mais voltou a ligar-nos ou a tentar voltar a nos vender mais alguma coisa?

Já reparou que em ambos os casos, os protagonistas (candidatos ou vendedores) só voltam a nos tratar bem, quando estão em vias de precisar da nossa colaboração novamente?

Pois é, sejam eles os candidatos a um cargo eleitoral, sejam eles vendedores do que quer seja, uma coisa eles não podem esquecer. Dos seus clientes. O processo de angariação de um novo cliente pode demorar muito tempo, mas são precisos somente alguns segundos para estragar toda uma relação ou mesmo a venda.

Vejamos o caso do Brasil. A Dilma acaba de tomar posse, e está sentada em Brasilia num gabinete cheio de regalias e de seguranças. Quantos querem apostar comigo, como se um dos tipos que ela deu beijinhos durante a campanha ou um dos barraqueiros que ela comeu a comida dele, tentar ir ao Palácio em Brasília e pedir uma audiência porque precisa ver resolvido um problema seu, vai ser recebido, e ainda por cima, com um sorriso de orelha a orelha?

Quantas vezes você, que é vendedor, esqueceu completamente do seu cliente, durante os ultimos doze meses, mas agora que é hora da renovação do contrato que ele tem com a sua empresa, volta lá e aparece com uma cara de pau de todo o tamanho, a distribuir beijinhos e abraços desde a recepcionista até o patrão, tudo isso porque não pode nem pensar em perder esta conta que tanto trabalho lhe deu?

Estamos a viver a época onde o poder está nas mãos de quem compra (e de quem elege). Tenho vindo a falar em vários artigos o quanto devemos ter cuidado em manter a relação viva com os nossos clientes. O quanto é importante estar, de uma forma regular, a visitá-lo e a levar novas soluções, novos produtos ou alguma coisa que permita o negócio do meu cliente melhorar, com a tua solução.

Neste ano de 2011 que agora inicia, muitas são as empresas que tem que voltar a renovar os seus contratos com os seus clientes, e lá vão as legiões de vendedores voltar a ligar e com um sorriso na voz, lembra-los que é altura da renovação do contrato e precisam da assinatura deles. Cuidado, se não fez o seu trabalho de casa durante o ano anterior, poderá ter uma surpresa, agora que o seu cliente sabe até quanto custa o mesmo produto na sua concorrência, perdê-lo porque alguém (outro vendedor) chegou primeiro do que você e ofereceu simplesmente um melhor acompanhamento da conta e esteve durante o ano passado inteiro, a fazer imensos negocios com ele, enquanto você andava a passear por outras empresas.

O pós-venda é tão ou mais importante que a venda. A porta já está aberta, já conhece o decisor, já conhece o ciclo de compra, já conhece os problemas dele, porque não continuar a fazer mais novos negócios durante todos os meses, do que renovar uma única vez por ano?

Tal como nos jogos olímpicos que a chama fica acesa desde o primeiro momento até a despedida, mantenha a sua chama acesa no seu cliente, até que ele deixe de existir no mercado.

Pense nisso e não seja um vendedor político.

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