Capitulo VII – Conhecendo o programa “adição”

Cheguei a casa sem vontade nenhuma de sair novamente. Estava desanimada, triste comigo por não ter conseguido entrar no programa de aceleração. A animação que amanheci era a antítese da tristeza do fim do dia. Tinha que ter forças, muita coisa mudara na minha vida no espaço de 30 dias. Sobrava-me somente o trabalho do callcenter, que pelo menos este, ainda não dera para o torto. Fui ao frigorifico, abri a porta e constatei que estava quase vazio. Um pacote de leite com a data de validade vencida, uma caixa de plástico com algumas fatias de fiambre já endurecidos pelo tempo e um pedaço de queijo parmesão tão duro que se jogasse na parede, fazia um buraco. Fechei a porta furiosa comigo por não ter feito compras. Pensava em mandar tudo para o inferno e me trancar no quarto debaixo do cobertor sem ter que aturar ninguém.

Não podia deixar-me entrar numa crise de depressão. Somente eu poderia sair deste buraco que cavei. Peguei na mala, olhei para o espelho da entrada de casa para ver a minha cara. Arranjei um pouco o cabelo e sai de casa para o trabalho. Ainda bem que era sexta-feira e tinha o fim de semana para descansar e lamber as feridas.

Voltei para casa perto das 23h30, entrei em casa deitei a mala e a roupa para cima do sofá e fui directa para a cama. Esqueci sequer de escovar os dentes. Que se lixe, não tinha ninguém para estar a avaliar o meu hálito. Acordei no sábado eram quase 11h00 e arrastei-me para a casa de banho aflita para aliviar a bexiga. Tomei um banho morno que me ajudou a voltar ao mundo dos vivos. Como já sabia que no frigorifico não havia nada, vesti-me e desci para ir ao supermercado comprar mantimentos para a semana. De um momento para outro passei de não ter tempo sequer de pensar para ter o dia inteiro disponível para mim. Era uma sensação estranha não ter que me encaminhar para o restaurante do sr. Madeira e viver toda aquela agitação.

Passei na pastelaria e pedi uma sandes mista e um galão para não entrar no supermercado com fome. O ditado que diz para nunca fazer compras com a barriga vazia aplica-se a mim na perfeição. Se fosse com fome, desataria a comprar porcarias que depois comeria e me arrependeria. Depois do supermercado voltei para casa, guardei as compras e sentei-me na mesa ainda com o computador ligado e com a apresentação que fiz do projecto, aberta na tela. Olhei para aquilo e deu-me uma vontade de chorar. Aguentei o choro. Fechei o PowerPoint e pesquisei no Google o que era o ‘adição’. Encontrei milhões de paginas que nada tinham a ver com o que procurava. Por que escolher um nome tão normal? Mudo a pesquisa e juntei o nome ‘José Marques’, já diminui bastante a quantidade de site. Encontrei então o site do projecto e comecei a navegar para conhecer um pouco mais quem era este José e o que era este programa ‘adição’.

Numa área específica do site indicava como um programa de aceleração de ideias, mas quando cliquei não tinha qualquer informação. Fiquei curiosa de conhecer por causa duma frase que dizia ‘Programa intensivo de duas semanas para empreendedores motivados, focados na criação de micronegócios locais.’. Não sabia se tinha a tal motivação que eles indicavam, mas pelo menos eu me considerava uma pseudo-empreendedora. Afinal tinha feito um projecto sem o menor conhecimento do que era criar uma empresa. Continuei a navegar e na parte da informação ‘sobre nós’ houve outra coisa que atiçou ainda mais a minha curiosidade quando li: ‘o adição combina capacitação, mentoria, coaching e acesso a parceiros trazendo uma comunidade de entre-ajuda de micro-empreendedores.’. Afinal também poderia ter a oportunidade de conhecer mentores coaches e parceiros? Gostei e comecei a ficar mais animada. Continuei a navegar a ler coisas como ‘rede de apoio’, ‘competências’ e ‘comunidade’. Parecia a mim que afinal depois da porta ter-se fechado, abria-se uma fresta numa janela para eu poder ver a luz do dia.

O resto do sábado passei a ler e descansar. No domingo sai de casa para dar um passeio ao Parque da Ribeirada, ver um pouco de verde e respirar um pouco do ar fresco de dezembro. Sempre ajudava a refrescas as ideias. O dia tinha amanhecido encoberto mas depois das 10h o sol apareceu por entre as nuvens e começou a ficar um dia frio, mas ensolarado. Caminhei, pensei, refleti e analisei a minha vida. Via as crianças animadas a brincarem no parquinho fez-me relembrar que já tinha 31 anos e o relógio biológico começava a dar sinal de terminar o prazo de validade do meu corpo gerar um filho.

Filho, para que isso acontecesse era preciso primeiro ter um namorado e que ele quisesse também ter uma criança. Andava distraída nos meus pensamentos sem olhar por onde caminhava. Gostava da sensação do ar frio a bater no meu rosto. Fechei o casaco até ao pescoço para evitar que o frio entrasse. De repente vi um cãozinho a correr na relva todo contente atrás de uma bola de ténis. Levantei a cabeça e sem querer esbarro numa pessoa, que acreditei ser o dono do cãozinho pois tinha uma trela na mão esquerda. Pedi desculpas e quando olho melhor vejo um homem vestido com umas calças de ganga azul bem escuro, limpas e com um bom corte. Nos pés umas botas ‘timberland’ castanho claro, vestia uma camisola de gola alta também azul e por cima um casaco de couro castanho a combinar com as botas. Não sei dizer, mas no momento que os meus olhos cruzaram com os olhos verdes dele, senti um calor a subir pelas minhas costas e, não sei se demonstrei, mas senti o rosto ficar quente e as bochechas do meu rosto a queimar. Parecia uma criança quando é apanhada pelos pais a fazer alguma coisa errada.

Não me lembro o que balbuciei, mas fiquei toda atrapalhada, pedi novamente desculpas e virei as costas para voltar para casa. Sentia um calor dentro daquela roupa toda que tinha vestida. Parecia ter um fio de suor a escorrer pela coluna abaixo. Voltei a ter 15 anos e a ficar envergonhada quando olhava para um rapaz na escola. Criancices minha, mas mesmo assim gostei da sensação. Voltei para casa, mas não conseguia deixar de pensar naqueles olhos verdes. Tinha uma vontade de voltar ao parque só para poder ver novamente aquele homem. Alguma coisa havia na forma que me olhou que mexeu comigo. Não ouvi a voz dele, nem sabia quem era, mas tinha uma sensação que aquilo não ficaria por ali.

Antes de me deitar fui ao computador procurar onde era a garagem da Carris em Alcântara, mas que raio de lugar para ter um escritório. Depois e procurar pela morada do cartão, encontrei o site do ‘Impact Hub’, que é um espaço de ‘co-working’, seja lá o que isso significa, mesmo dentro do museu da Carris de Lisboa. Compreendi onde deveria me dirigir e calculei que deveria gastar pelo menos uma hora e meia para lá chegar. Assim sendo teria que sair de casa pouco antes das 09h00 para conseguir cumprir e chegar lá as 10h30 como tínhamos combinado. Fui dormir com aquelas coisas todas que li sobre o projecto na cabeça. Ao contrario do que era suposto o meu sono foi inquieto não por causa da reunião, mas por estar sempre a sonhar com o homem dos olhos verdes. Acordei várias vezes assustada mas com um sorriso no canto da boca. Perto das 07h00 me levantei da cama. Já estava acordada desde as 05h00 da manhã. Tomei banho, fiz um café na máquina que comprei na promoção do supermercado, comi uma bolacha com queijo e fui escovar os dentes para sair de casa. Antes de sair ainda reuni todos os documentos que tinha levado para a Casa do Impacto para o caso dele querer conhecer um pouco mais sobre o meu projecto.

Sai de casa as 09h00 e a viagem de autocarro até Alcântara durou cerca de uma hora e quinze. Chegara quinze minutos antes da hora. Estava nervosa e parecia que ia para uma entrevista de emprego. Não sei porque mas voltei a lembrar-me do homem dos olhos verdes do parque e sorri para mim mesmo.

Na portaria do espaço fui ter com o porteiro e indiquei que tinha uma reunião agendada com o José Marques do ‘adição’. O porteiro pediu que aguardasse, fez uma chamada e depois de desligar saiu da casota e apontou para um antigo os antigos prédios ao fundo da garagem da Carris. Disse para eu me dirigir ao segundo andar do último prédio a esquerda. Subi as escadas, entrei por uma porta e vi uma quantidade de mesas montadas sobre cavaletes, algumas cadeiras ao lado das mesas improvisadas, plantas penduradas, outras no chão e alguma placas com frases de incentivo penduradas nas paredes.

A primeira impressão que tive é que estava no local errado. Olhei a volta e vi algumas pessoas sentadas nas mesas com fones nos ouvidos e com o rosto focado na tela do computador. Outros conversavam numa mesa redonda num tom de voz baixo mas muito animado a discutirem algo que apontavam numas folhas de papel sobre a mesa. Continuei por um corredor com algumas plantas penduradas nas vigas do tecto alto e a medida que andava deparava-me com algumas mesas colocadas entre duas paredes como se fosse um espaço privado, mas sem portas. No fundo da sala do lado direito, vi o José Marques sentado juntamente com duas outras pessoas, um rapaz e uma rapariga numa conversa muito concentrada e séria.

Aproximei-me devagar para me fazer notar, e foi quando o José Marques viu-me, levantou-se e caminhou na minha direção. Ao se aproximar cumprimentou-me com um sorriso sincero e deu-me dois beijinhos no rosto. Fiquei algo encabulada pois só o tinha visto na mesa do júri e depois quando me deu o cartão, na conversa fugidia que tivemos na porta da Casa do Impacto.

Sorri de volta e cumprimentei. Ele pediu que o acompanhasse até a mesa onde estavam os outros dois sentados. Eles levantaram-se e o José Marques me apresentou aos seus sócios no projecto ‘adição’. Ela de nome Margarida e ele se chamava Jason, um rapaz irlandês que estava a viver em Lisboa há cerca de 6 meses. Tinha vindo numa viagem de férias, se apaixonou pela cidade e resolveu vir viver para cá. Sentamos todos a volta da mesa. O José Marques abriu a conversa.

“Bem vinda Maria ao Impact Hub. Já conhecia isso?”

Respondi que não com a cabeça, incapaz de formular uma palavra. Estava nervosa.

“Este lugar é um projecto da Câmara Municipal de Lisboa junto com a Carris que permite jovens empreendedores terem um lugar para trabalhar e conhecer outras pessoas de forma simples, directa e muito acessível. Acho isso fantástico pois a ideia é que as dinâmicas criadas dentro do espaço e, da rede em si, possam ser um dos maiores contributos para a comunidade. O espaço serve como uma ferramenta de apoio e arranque de vários projectos além de ser um ponto de encontro entre pessoas.”

Continuava muda e quieta a ouvir ele a falar. Movimentava a cabeça afirmativamente na tentativa de transmitir que compreendia o que ele dizia.

“Há alguma pergunta inicial que queira fazer-nos antes de lhe explicar o que é o projecto adição?”

Mais uma vez respondi com a cabeça que não.

“Muito bem. Não sei conhece ou se leu alguma coisa sobre nós e sobre o projecto adição?”

“O que sei sobre vocês é o que li no site do projecto, depois de pesquisar no Google.”

“Interessante. Fico contente que tenha tirado um tempo para pesquisar. Da pesquisa que fez, há alguma coisa que tenha ficado com dúvidas?”

“Na verdade sim. Li a informação que disponibiliza no site, mas como não era muito detalhada, na verdade o que sei sobre vocês é muito pouco.”

“Sabe Maria, a forma como o nosso site está feito é justamente para criar esta curiosidade nas pessoas que queiram começar o seu próprio negócio. Queremos incentivar que nos procurem, que tenham a visão correcta que transmitimos pessoalmente a cada empreendedor. Depois disso será ele a validar se o que lhe explicamos coaduna-se com o que quer implementar.

Veja bem, estive alguns anos a estudar e trabalhar fora de Portugal, primeiro no Erasmus e depois como estagiário em algumas empresas na Holanda e depois na Bélgica. Nesta altura conheci vários jovens como eu que queriam lançar o seu próprio negócio, mas os custos para frequentar uma escola de negócios ou formação específica eram demasiado altos. Foi na interação com estes jovens empreendedores que nasceu a ideia de criar um projecto que permitisse nós, empreendedores, primeiro validar se a ideia que temos para criar um negócio é viável e depois conseguirmos que tenhamos ajuda quer para arrancar com o projecto como termos apoio de pessoas com mais experiência para ajudar a pormos o projecto/ideia de negócio a funcionar. Não fazemos nenhum tipo de financiamento nem somos investidores. Até aqui tudo claro?”

Respondi que sim.

“O programa adição funciona da seguinte forma. Durante duas semanas terá que estar connosco aqui das 09h00 até as 17h00 onde irá trabalhar com a Margarida, com o Jason, comigo, alguns mentores e coaches que nos ajudam de forma voluntária. Durante estas duas semanas irá participar em exercícios de validação da ideia, testar se existe clientes para o seu negócio, identificar qual a melhor forma de cobrar pelos seus serviços ou produtos e por fim, que estratégia de marketing pode ser a mais correcta para a divulgação do seu negócio. Durante estas duas semanas, também iremos promover workshops e palestras com pessoas que já passaram por nós nas sessões anteriores. No final das duas semanas, os participantes terão validado se o seu negócio é viável gastando menos de 200€ para os lançar.”

Absorvia tudo o que ele dizia com um interesse gigantesco. A medida que ele falava, sentia uma empolgação crescer dentro de mim. no entanto quando ouvi falar em 200€, não resisti e perguntei: “vou ter que pagar 200€ para participar?”.

O José Marques riu, recostou na cadeira e respondeu-me: “Não. Mas queremos ter uma baliza de valor para que os empreendedores conheçam e tenham consciência que nada é de graça. Tudo tem que ter um custo. Se a Maria estiver desempregada e tiver inscrita no Instituto de Emprego, a sua participação é paga por eles. Quando a pessoa não tem esta condição, cobramos 35€ pela participação no programa. Já agora qual a sua situação profissional?”

Engoli a seco. Será que por estar a trabalhar ficaria de fora? Respondi que trabalhava todos os dias da semana num callcenter em entrecampos entre as 18h e 22h30. Questionei se isso seria um impedimento a minha participação.

Ele respondeu que não, mas que o facto de não ter tempo depois das 17h00 poderia ter algum impacto nas tarefas que são passadas ao grupo, que normalmente são realizadas depois de saírem da formação. Disse que normalmente as pessoas continuam por mais algumas horas depois das 17h00 a trabalharem em conjunto para que o resultado seja avaliado no dia seguinte durante a formação.

“Maria, quero ser o mais aberto para si. O facto de estar a trabalhar, mesmo sendo depois das 17h00 terá impacto na sua capacidade de entregar os trabalhos que passamos. Queremos que os empreendedores tenham uma dedicação a 100% durante a formação e mais 150% em acreditar que pode implementar o seu negócio. Estando a trabalhar vai impedir de estar com os seus colegas de formação e de grupo de trabalho. Se realmente quer que o seu projecto se torne um negócio, será necessário uma disponibilidade de tempo e atenção total. Por isso quero lhe perguntar, e que me responda com toda a sinceridade possível, por favor. Acredita realmente que o seu negócio é o que quer fazer para si ou isso é só uma mera intenção e vontade de tentar para ver o que acontece?”

Gelei com pergunta que ele me fez. Neste momento estava novamente a ser cilindrada por uma pergunta, cuja resposta que desse, teria um consequência dura sobre o meu futuro. O que responder? se dissesse que sim, então provavelmente iria me perguntar sobre como conciliaria o trabalho e a formação. Se respondesse que não, então estaria fora. Que dura encruzilhada. Senti que este momento era aquele que, todos os que acreditam serem capazes de fazer valer a sua vontade, sentem que a sua resposta irá mudar a sua vida para o resto do seu tempo. Foi quando abri a boca e respondi: “Muito obrigada pela vossa explicação. Na verdade o trabalho que tenho é a minha única fonte de rendimento. Abdicar dela seria um passo muito arriscado. Responder a sua questão assim de repente e sem reflectir, irá ter um impacto profundo em toda a minha vida. Tenho uma vontade muito grande de colocar a “Maria Costureirinha” como uma empresa. Acredito que tenho as valências e capacidades necessárias para trabalhar. Não tenho medo do trabalho, aliás, até 2 semanas atrás eu trabalhava em 3 lugares diferentes todos os dias. Começava as 06h00 da manhã e só acabava as 23h30 todos os dias. Agora só tenho o trabalho do callcenter e, aquilo que exigem, significa eu ter de parar de trabalhar, só para me dedicar a formação. Não é que não deseje, pois desejo muito, mas preciso de pelo menos algum tempo para tomar uma decisão de abandonar tudo por um futuro que não tenho a certeza. Não sou casada e só tenho o meu pai que é viúvo e vive sozinho com a sua reforma, que é uma miséria. Desculpe, estou aqui a divagar como se tentasse fugir da resposta. Não sei. Não sei mesmo o que lhe responder. Qual a possibilidade para me darem alguns dias para eu reflectir sobre tudo o que me disse por favor?”

“Calma Maria, estamos a ter somente uma primeira conversa, que posso lhe dizer que é mais informal e serve para lhe esclarecer dúvidas. A nossa próxima formação só vai começar em início de janeiro. Agora ainda tem algum tempo para pensar, até por que vem aí o Natal e o Ano Novo. A bem da verdade, nós só vamos abrir as inscrições para a próxima formação no dia 5 e fechamos no dia 7 de janeiro. Até lá tem todo o tempo para avaliar e rever a sua decisão. Não estamos de forma nenhuma, a tentar pressionar a ter de dar uma resposta agora. Se quiser mesmo participar na formação, poderá contar com todo o nosso apoio, dedicação e vontade de ajudar. Em troca o que pedimos a todos os que participam, como já tinha dito, é uma dedicação total de tempo e disponibilidade para trabalhar duro durante duas semanas inteiras, incluindo o fim de semana que tem ao meio. Por favor, fica tranquila que esta nossa conversa de hoje é somente uma primeira abordagem a todo o processo. Além do que já falamos, tem ainda mais alguma dúvida sobre nós que queira ver respondida?”

“Por acaso tenho. Quando disse que tem mentores e coaches voluntários que ajudam os formandos, o que é isso e para que servem?”

“Excelente questão Maria. O papel dos mentores e coaches no projecto ‘adição’ funciona de forma distinta. Os mentores tem um papel mais de aconselhamento e orientação directamente sobre o seu negócio. Na verdade os mentores são pessoas com vários anos de mercado que oferecem uma tutoria ou apadrinhamento para auxiliar os menos experientes. Possuem uma bagagem profissional dentro da área de negócio do mentee e faz uma diferença para obterem êxito. Por isso, auxiliamos os empreendedores tendo mentores que possam ajudá-los nas questões mais delicadas rumo ao progresso profissional, com visão de longo prazo e estratégia. Já o papel dos coaches dentro do projecto é ajudar o empreendedor a mudar, na maneira que deseja e a ir na direção que quer, ou seja, as sessões de coaching servem para criar consistência, capacitar à escolha e produzir uma mudança, além de revelar o potencial do empreendedor para maximizar o seu próprio desempenho. Ficou claro para si?”

“Sim, mas continuo a não compreender como é que eles irão ajudar.”

“Maria, no projecto ‘adição’ eles só vão aparecer no final da formação. Achamos que a interação entre empreendedor, os mentores e coaches só deve acontecer quando há uma ideia clara sobre como irá colocar o seu negócio a funcionar. Sentimos que uma interação do empreendedor que está na nossa formação antes disso só irá criar mais confusão. Primeiro limpamos a ideia de pontas soltas e somente com uma visão clara do que quererá fazer, é que passamos para a fase de alinhar o negócio a um mentor e/ou um coach. Antes disso há um longo caminho a ser feito com muito trabalho, muita dedicação, vontade de aprender a ver e pensar de forma diferente um negócio. Muitos chegam a nós pensando que é tudo uma maravilha, que basta abrir a porta e os clientes irão fazer fila à porta da empresa com vontade de comprar. Isso não existe. Vai ver que há muita gente a fazer o mesmo que quer fazer e que a competição é dura. Iremos apresentar uma visão mais dura e mais realista do que a que entrar na formação. Dai a nossa necessidade de uma dedicação acima dos 100% de cada um que participa na formação. Mas agora acredito que já falei muito. Preciso por favor que a Maria relaxe e pense seriamente, depois de ouvir tudo o que disse, se este é o caminho que quer apostar a sua vida nos próximos tempos. Está claro para si?”

Respondi que sim. Estava em pânico. Sentia a barriga cheia de borboletas, ainda mais do que as que tive na Casa do Impacto. Desta vez não dependia do julgamento de ninguém. Não tinha que fazer prova da minha capacidade a mais ninguém além de mim mesma. Levantamos e o José Marques passeou comigo pelo espaço do Impact Hub a apresentar algumas das pessoas que trabalhavam ali no lançamento do seu negócio e até alguns que participaram nas sessões anteriores do ‘adição’, e que agora trabalhavam em parceria com outras pessoas que conheceram durante, e depois, da formação. Achei aquilo tudo fascinante, mas arrancava uma nova fase da minha vida e a primeira decisão que tinha que tomar era como iria sobreviver sem ter um trabalho, só para me dedicar a duas semanas de formação de empresária. Vinha na minha cabeça dezenas de perguntas, mas a principal era se teria coragem de abandonar o meu emprego e a segurança dos quase 1500€ mensais para dedicar todo o meu tempo a lançar o meu negócio, sem salário ou qualquer tipo de entrada de dinheiro. Será que teria a coragem de jogar tudo para o alto? Esta era a pergunta que trouxe na minha cabeça enquanto voltava para casa. Tinha cerca de 20 dias para tomar uma decisão e continuava a pensar no homem dos olhos verdes.

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    Coach Wilques Erlacher

    ACC Coach Credenciado pela ICF. Especializado em Coach de Desenvolvimento & Metafórico e Presidente do Conselho Fiscal da ICF Portugal. Há mais de 20 anos que trabalho em funções relacionadas com Marketing, Vendas Corporativas, Desenvolvimento de Negócios, Gestão de Clientes, Formação, Mentoria e Consultoria em Vendas. O meu lema é: “Coaching não é para quem precisa, é para quem quer ser melhor” Os meus contactos são: email: we@wilqueserlacher.com || Skype: w.erlacher || Tel: +351 932 558 558

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