Se o meu mundo fosse perfeito – Prólogo

Começa hoje uma jornada onde vou contar em vários episódios a vida de Maria, mulher, solteira, com muitas dificuldades na vida e que enfrentará todo um percurso para conseguir vencer no mundo do empreendorismo e tentar tornar o seu projecto de vida um negócio rentável e…

que mude a sua vida.

Wilques Erlacher

Prólogo

Era um dezembro frio e chuvoso e exactamente as 05h00 da manhã o despertador toca. Acordo, ainda com os olhos colados com a remela da noite mal dormida e com a sensação de estarem cheios de areia. Parecia que tinha ido para a cama somente há 10 minutos. Não, não eram 10 minutos, mas somente o resultado das 3 horas que tenho disponíveis para descansar de segunda a sábado.

Levanto-me, dirijo-me a casa de banho. Olho para o espelho e a imagem que vejo é de uma mulher, não com 31 anos, mas uma velha de 70 com um cabelo desgrenhado (não me lembro a ultima vez que fui tratar dele), com grandes olheiras negras e fundas a circundar os meus olhos, a minha cara aparenta os sinais de cansaço extremo. O meu primeiro pensamento é “não sei mais quanto tempo posso aguentar esta vida”.

Tiro a roupa e entro para o chuveiro, penso que talvez um banho quente, me ajude a melhorar. A meio do banho, levo com uma quantidade de água fria nas costas, dei um berro e xinguei todos os palavrões que conheço. Esqueci que a bilha de gás estava no final e não tive tempo para comprar uma nova. Saio a tremer de frio. Volto a pensar “até quando vou aguentar esta vida?”.

Na noite anterior cheguei, ao pequeno apartamento que vivo em Odivelas, passavam das 23h30. Vivo sozinha e para conseguir pagar a renda mensal de 450€, mais as despesas de água, luz, transporte e supermercado, tenho que trabalhar a triplicar.

Depois da experiência do banho frio, que de certa forma me ajudou, pelo menos, a despertar a modorra que tinha no corpo, visto-me a correr e as 06h00 da manhã em ponto já estou na paragem do autocarro para apanhar a carreira das 06h15.

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Entro as 07h00 numa empresa perto do Marquês de Pombal onde trabalho como empregada de limpeza. Tenho que assegurar que despejo os caixotes de lixo, passo um pano sobre as secretárias, varro o chão e tenho de ter tudo pronto antes das 09h00, quando os empregados começam a chegar.

Saio deste trabalho perto das 11h00 e sigo para o segundo, num restaurante perto da Praça da Figueira. Aqui sou ajudante de cozinha, não como cozinheira ou algo que se pareça, mas na limpeza da sala de refeições e a partir das 12h30 mudo-me para a zona de recolha dos pratos e travessas sujas que vem da sala, passar por água quente e colocar na máquina de lavar louças.

A partir das 12h30 é uma loucura. São dezenas e dezenas de pratos, panelas, travessas, talheres e copos sujos que chegam a minha frente. Tenho que ser rápida e despachada senão acumulam e o patrão, o Sr. Madeira, começa a gritar impropérios e fico toda a tremer com medo que me mande embora. Preciso deste trabalho.

Por ser um restaurante consigo assegurar que tenho uma refeição de jeito incluída entre segunda e sábado. Domingo o restaurante está fechado.

O sr. Madeira é um transmontano de Macedo de Cavaleiros que veio para Lisboa com 16 anos, começou como ajudante de balcão num dos melhores restaurantes, chamado Gambrinus e, depois de trabalhar lá mais de 20 anos, aprendeu tudo o que podia na arte de servir até conseguir, com as suas poupanças, alugar um espaço perto da praça da Figueira onde abriu um pequeno restaurante chamado “O Transmontano”.

Todos os dias o horário de almoço dura até perto das 15h00, mas devido o fluxo de turistas, o último cliente nunca sai de lá antes das 15h30. Com o diminuir do movimento consigo despachar o meu trabalho o mais que posso e começo a limpar a minha bancada. Depois de limpar a minha parte ainda ajudo a Sandra, uma angolana, com 3 filhos pequenos por sua conta, a viver em Portugal há cerca de 2 anos, que tem a responsabilidade da limpeza da sala.

Como temos uma casa de banho para empregados na traseira do restaurante com um chuveiro, consigo tomar um banho para tirar o cheiro de comida do corpo. Pelo menos não tenho que me preocupar com a falta de gás para ter água quente.

O sr. Madeira também é um bom patrão e assegura que os nossos uniformes são lavados por uma empresa de limpeza que ele contratou e assim é menos uma preocupação.

Saio do restaurante pelas 16h30 e caminho para o Metro onde sigo para Entrecampos. Inicio o meu terceiro turno numa empresa de callcenter onde entro as 18h00 e trabalho como vendedora de serviços de telecomunicações por telefone, com turnos seguidos de 2 horas onde não posso sequer me levantar para ir a casa de banho.

Depois de estar 2 horas a fazer chamadas telefónicas, tenho direito a um intervalo de 15 minutos que mal dá para fazer alguma coisa. Quando consigo, sento-me na sanita da casa de banho e tento descomprimir um pouco. De nada vale, a mulherada que lá trabalha entra a pressa e começam a gritar para sairmos da sanita pois só há 3 disponíveis num andar onde trabalham cerca de 150 mulheres.

Mas enfim, pelo menos não tenho que descer os 6 andares para conseguir fumar na rua. Com a pendura e falta de dinheiro que tenho para sustentar este vício, deixei de fumar, e se pensar bem, deixei de fazer imensas coisas que me davam prazer e me divertiam. Levanto-me se sigo para mais 1 turno de 2 horas sem poder me levantar da cadeira.

Mesmo que tentasse, há sempre uma das várias supervisoras a rondar a mesa e a perguntar se tive uma venda completa. É um trabalho esgotante. Somos avaliados por tudo e por nada. O pior que me pode acontecer é conseguir estabelecer uma chamada e o potencial cliente desligar antes dos 30 segundos.

Finalmente termina o meu dia. São cerca das 22h30 e deixo o prédio. Tenho que apressar o passo em direção da avenida da Republica para apanhar a camioneta da 22H50. Chego a casa perto das 23h20. Estava exausta, tal como todos os outros, tinha sido um dia (mais um) longo. Abro a porta de casa e vejo um envelope no chão. Olho com espanto, procuro ainda no escuro ver que é o remetente e reconheço o logótipo da Entidade de Ajuda a Mulheres Empreendedoras (EAME).

Lembrei-me imediatamente do anúncio que vi no jornal Expresso em finais de agosto, onde esta organização anunciava a abertura de candidaturas de projectos de criação do próprio negócio, exclusivo a mulheres.

Durante um fim de semana, preparei a minha ideia de negócio e, depois de preencher o formulário online, submeti a minha ideia. Já tinham passado mais de 3 meses sem nenhuma resposta e nunca mais pensei mais no assunto. Provavelmente não tinha conseguido convencer o júri.

Mas ali estou eu de pé, nem sequer lembrei-me de fechar a porta. Fico a olhar o envelope sem mover um músculo. Na minha cabeça mil pensamentos atropelam-se uns aos outros. Seria mais uma carta como tantas outras a indicar que o projecto não tinha sido selecionado e que agradeciam a minha participação, ou pelo contrário o meu projecto tinha sido selecionado?

Abro o envelope com um cuidado tal, que mais parecia estar a abrir uma carta-bomba. Desdobro a folha muito lentamente. Sinto um misto de medo e tenho o meu coração do tamanho de uma ervilha. Abro tudo, começo a ler e tive que me apoiar na mesa de apoio da entrada.

Tinham escolhido o meu projecto.

Observação final

Este conto não é baseado em nenhuma personagem real. Todos os eventos e descrições apresentadas são fruto da minha imaginação e servem o propósito de dar a conhecer aos leitores o poder do Coaching na vida das pessoas.

Para conhecer como posso agir de forma positiva em si, na sua empresa e colaboradores, o primeiro passo a dar é agendar uma conversa comigo sobre como poderei ajudar.

Coaching não é para quem precisa. É para quem quer ser melhor!

Muito obrigado por ler o que escrevo.

Pense nisso!

Se o meu mundo fosse perfeito – Prólogo
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Coach Wilques Erlacher

ACC Coach Credenciado pela ICF. Especializado em Coach de Desenvolvimento & Metafórico e Presidente do Conselho Fiscal da ICF Portugal. Há mais de 20 anos que trabalho em funções relacionadas com Marketing, Vendas Corporativas, Desenvolvimento de Negócios, Gestão de Clientes, Formação, Mentoria e Consultoria em Vendas. O meu lema é: “Coaching não é para quem precisa, é para quem quer ser melhor” Os meus contactos são: email: we@wilqueserlacher.com || Skype: w.erlacher || Tel: +351 932 558 558