Capítulo IV – A entrevista, eu e o futuro

Volto a realidade e lembro que dentro de 15 minutos tenho que estar sentada lá dentro a espera de falar com o Dr. Pedro Teixeira e a Drª Celestina Cruz. O meu coração bate acelerado no peito e olho para os lados. Tenho a sensação que todos escutam o ribombar do coração no meu peito.

Avanço em direção da entrada principal da Casa do Impacto que existe graça a reconversão do antigo Convento de São Pedro de Alcântara num projecto que envolve a Santa Casa de Misericórdia de Lisboa e mais cinco parceiros: a Câmara Municipal de Lisboa, o Montepio, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Portugal Inovação Social e a Fundação Aga Khan. Juntos propuseram criar um espaço onde eles anunciam como o local onde se junta ‘Uma geração de empreendedores que acreditam em modelos de negócio sustentáveis capazes de criar impacto social’. Agora entendo por que o meu projecto foi escolhido.

Siga-me pelologo_b

Entro por um corredor largo do Convento e deparo-me com paredes muito brancas, um espaço amplo e com uma atmosfera diferente de um antigo lugar de culto religioso. Passo por muitos jovens a andar de um lado para outro a entrar e sair das várias salas de convívio e de trabalho. Cruzo com uma pessoa que ia com um ar muito concentrado e, depois de interromper o seu passo, pergunto onde posso encontrar a sala da EAME. Sem abrir a boca ela aponta para a porta que estava mesmo atrás de mim. Olho e vejo há uns 30 centímetros acima da minha linha de visão a placa colada na parede a indicar EAME – Entidade de Apoio a Mulheres Empreendedoras e por baixo do nome o logótipo da União Europeia e de mais uma quantas instituições que não consegui reconhecer. Agradeço a pessoa e viro-me para a porta de entrada. Olho de lado e a pessoa já vai longe. Nem sequer deve ter visto ou ouvido o meu agradecimento.

Se lá fora tinha o coração a bater rápido, aqui, agora que estou na porta de entrada, sinto as pernas a fraquejar. Agarro-me ao beiral da porta, olho para cima e respiro fundo. Não sei porque, mas o primeiro pensamento que me veio a cabeça foi a frase do antigo Imperador Júlio César ‘Alea iacta est’ que tanto pode ser traduzido como ‘Os dados estão lançados’ ou por ‘A sorte está lançada’. Entro, deixo os meus olhos adaptarem-se a um ambiente menos claro, vejo ao fundo da sala de recepção um balcão e por detrás o cocuruto de uma cabeça. Aproximo e cumprimento.

“ Bom dia. Sou Maria da Conceição Martins e venho para uma entrevista com o Dr. Pedro Teixeira e a Drª Celestina Cruz.”

“Olá bom dia. Muito prazer. Eu sou a Teresa e foi comigo que falou ao telefone na semana passada. Seja muito bem vinda. Pedia-lhe por favor para aguardar sentada ali no sofá e dentro de alguns minutos já lhe chamo. Aceita uma água, café?”

“Obrigada, mas estou bem.” Não conseguia esconder o nervoso miudinho e a quantidade de borboletas que voavam no meu estômago. Mais uma vez outra frase veio a minha cabeça, agora do cantor Tony Carreira que, durante uma entrevista disse que ainda hoje sente borboletas no estômago antes de subir ao palco. Lembro-me de ouvir ele dizer que no dia que já não sentir as borboletas no estômago antes de entrar no palco, deixará de cantar pois já tinha perdido a paixão.

Se estas borboletas que tenho, agora, a voar no estomago são paixão, não sei, mas que é uma sensação estranha e ao mesmo tempo agradável, isso é. Sorri e segui em direção ao sofá.

Sentada no sofá em pele muito largo e agradável, pensava que não me importava nada em ter um igual. Conseguia ser mais confortável que a minha própria cama. Olhava a quantidade de pessoas que entravam e saiam pela porta à direita do balcão de recepção. Estranhamente não eram só mulheres e vi muitos homens. Afinal a Entidade de Apoio a Mulheres Empreendedoras também precisa de homens. Mais uma vez sorri com a incongruência da situação.

Além da versão impressa do projecto que apresentei, o ‘Maria Costureirinha’, tinha comigo o Guia da Mulher Empreendedora e aproveitei para reler algumas das passagens que tinha marcado a amarelo em ambos. Sempre poderia ser questionada sobre o que tinha escrito ou sobre o que eles tinham no guia.

Passados alguns minutos vejo a Srª Teresa atender o telefone e depois de desligar levanta-se, olha na minha direção e acena com a cabeça a indicar para me aproximar. Tinha chegado o meu momento de entrar. Tremia dos pés a cabeça. Nunca tinha sentido tanto nervoso só por causa de uma entrevista. Pensando bem, esta não era mais uma ‘entrevista’. O resultado desta poderia alterar a minha vida por completo. Não quis demonstrar que estava nervosa, mas não conseguia disfarçar. Enquanto me aproximava do balcão, a Srª Teresa olha com um sorriso nos lábios e me diz:

“Não esteja nervosa. Vai ver que tudo vai correr bem. O passo mais difícil já foi dado por si quando se candidatou. Agora é olhar com força e estar muito focada no que quer para si e para o seu projecto.”

Senti alguma da pressão que tinha sobre os ombros desaparecer e só tive voz para dizer “Obrigada”. Ela seguiu a frente e eu acompanhava o seu passo acelerado. Entramos pela porta a direita do balcão e seguimos por um corredor que circundava o claustro central do Convento. Era um espaço quadrado com um jardim muito bem cuidado com roseiras carregadas de flores e algumas laranjeiras carregadas de bolas alaranjadas, mais pareciam uma árvore de natal. Deixei-me abrandar o passo para poder contemplar o jardim e absorver alguma daquela paz, mas logo ouvi uma voz a minha frente dizer: “Srª Maria Conceição, queira por favor entrar por aqui.” Despertei do meu transe momentâneo e pedi desculpas. Dei mais alguns passos e entrei por uma antiga porta bem restaurada que separa o interior do Convento do claustro central. Entro para uma sala bem ampla e funda com várias janelas viradas para a Travessa de São Pedro onde a luz forte do sol de dezembro entra e ilumina tudo com raios diagonais que fazem grandes retângulos de luz no chão. Ao fundo da sala vejo um casal de pé por detrás de uma mesa muito simples e sem grandes aparatos. Não parecia em nada com um escritório. Fizeram sinal para que entrasse e me aproximasse deles.

Saíram da mesa e ambos dirigiram-se a mim. estendi a mão para cumprimentar mas com o aproximar deles a senhora disse:

“Olá, seja bem vinda a EAME e a Casa do Impacto. Eu sou a Celestina e este é o meu colega Pedro e quero saber se podemos lhe tratar só por Maria?”

Ambos me cumprimentaram com dois beijinhos no rosto. Não sei se já disse o quanto estava nervosa, mas volto a dizer que estava quase a desmaiar tal era a pressão no meu peito.

Retribui o cumprimento e disse um “Obrigada. Sim, pode ser só Maria, não há nenhum problema.” quem era eu para, naquele momento questionar a forma como me tratariam. Por mim, se me chamassem de Mariazinha, não ficava nada ralada.

A Dr.ª Celestina era quem dominava o início da reunião e vira para mim e diz “Maria, faça o favor de nos acompanhar até ali a nossa mesa. Temos muito que conversar. Queremos muito conhece-la, saber um pouco mais sobre o seu projecto, dar-lhe a conhecer tudo o que fazemos e explicar porque pedimos que viesse ter connosco aqui. Não sei se a Teresa lhe ofereceu, mas quer uma água, café ou chá?”

Tinha a boca seca com o nervoso e a garganta estava tão fechada que nem a saliva descia. Agradeci e pedi uma água. Ela olha de lado para o dr. Pedro e ele se levanta e vai buscar 3 garrafas com água que estavam num tabuleiro por debaixo do parapeito de uma das janelas. Colocou a minha frente uma garrafa e um copo e fez o mesmo para a Dr.ª Celestina e para ele. Mais uma evidencia que a mais graduada, hierarquicamente falando, era ela. Abri a garrafa, servi um pouco no copo e bebi dois golos para humedecer a boca e a garganta.

Estavam ambos a olhar para mim e a frente, sobre a mesa, várias pastas com várias folhas dentro. Depois de alguns segundos a olharem para mim, sempre com um sorriso nos lábios, ela inicia a conversa.

“Maria, esta conversa será dividida em três partes distintas. A primeira será conduzida aqui pelo meu colega Pedro que irá apresentar um pouco mais em detalhe o que é a Entidade de Apoio a Mulheres Empreendedoras, o que fazemos e o que é o projecto ‘RISE for Impact’. Esta primeira parte terá aproximadamente 30 minutos. Na segunda parte iremos lhe fazer algumas questões relativamente ao seu projecto e por fim, estaremos abertos a ouvir as suas questões. Contamos que no total a nossa reunião dure cerca de 1 hora. Está tudo bem para si?”

Meio atarantada da cabeça respondo; “Sim. Claro que sim. Obrigada”

A seguir o dr. Pedro levanta-se para fechar as persianas e diminui a claridade da sala. Fechadas as persianas ele volta para a mesa, pega num comando e liga uma gigantesca televisão que estava por detrás dele. Nunca tinha visto nada tão grande. Até tomei um susto e tentei disfarçar da melhor maneira quando olhei para a imagem gigantesca que apareceu no ecrã com o logo da EAME e da Casa do Impacto ao centro.

O dr. Pedro abre o seu portátil e com um pequeno apontador eletrónico na mão esquerda, levanta-se e antes de começar a apresentação começa a dizer: “Bem vinda à EAME e ao ‘RISE for Impact’ o programa de aceleração da EAME e da Casa do Impacto. Este é o primeiro programa de aceleração que ajuda a estruturar um negócio e, ao mesmo tempo, construir uma comunidade forte e que trabalha em conjunto para ao desenvolvimento de projectos sustentáveis e de impacto social. O ‘RISE for Impact’ é um programa de aceleração para startups de impacto que se encontram em fase de validação da ideia, produto ou serviço que promovam soluções ligadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.”

Enquanto absorvia estas primeiras palavras, mal sabia eu o que ainda estava por vir, afinal ainda há um novo e gigantesco desafio e eu não faço a menor ideia de como supera-lo.

Complete a frase: VENDER É....
O que captou o seu interesse no Artigo? Titulo do ArtigoPalavra-chavePesquisa Aleatória
Como chegou até ao meu site? NewsletterGoogleLinked InFacebookTwitter
Como classifica o interesse do Artigo? BaixoSuficienteBomMuito Bom
Sugeria o meu site a algum amigo ou colega? SimNão
Com que frequência visita o meu site? 1ª visita1 vez/semana1 vez/mêsMuitas vezes
Nome: email:
Se pudesse fazer-me uma pergunta, qual seria?
Clique em ->

Capítulo IV – A entrevista, eu e o futuro
Tagged on:                     

Coach Wilques Erlacher

ACC Coach Credenciado pela ICF. Especializado em Coach de Desenvolvimento & Metafórico e Presidente do Conselho Fiscal da ICF Portugal. Há mais de 20 anos que trabalho em funções relacionadas com Marketing, Vendas Corporativas, Desenvolvimento de Negócios, Gestão de Clientes, Formação, Mentoria e Consultoria em Vendas. O meu lema é: “Coaching não é para quem precisa, é para quem quer ser melhor” Os meus contactos são: email: we@wilqueserlacher.com || Skype: w.erlacher || Tel: +351 932 558 558

WhatsApp chat