Três histórias tristes e uma alegre. Todas elas reais.

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Pois é, já se passaram 4 semanas desde a última vez que publiquei um artigo aqui no blogue Venda Melhor. É altura de voltamos a labuta de fim-de-semana.

Uma das coisas mais incríveis que acontece quando estamos de férias é a nossa capacidade de verificar, ao vivo e a cores, as deficiências e as coisas boas que vamos encontrando nos profissionais de venda que nos atendem. Férias significa invariavelmente tirarmos um tempo para irmos as compras.

São nesses momento tão sublimes e descontraídos que tanto podemos gastar tudo o que temos na conta como simplesmente ter vontade de dar um berro a quem nos atende para que passe a fazer bem o que lhe cabe fazer.

Mas sem me alongar muito mais, vamos então as histórias tristes.

História Triste 1 – Tentar comprar um cartão chip para o meu IPAD

Uma das grandes vantagens, para mim, no IPAD é a possibilidade de eu ter um cartão chip com acesso à internet e assim poder consultar o meu email ou mesmo navegar. Pois lá fui eu ao shopping center e entro na loja da maior operadora de rede celular do Brasil e fui ter com a rapariga que estava a atender ao balcão. Eis o primeiro dos discursos surreais:

Eu: Boa noite. Por favor, eu tenho um IPAD e gostaria de comprar um chip pré-pago para internet. Vi na publicidade que vocês tem isso. Certo?

Funcionaria: Hã? Não sei. Um momento que vou perguntar a minha supervisora.

Ok. É valido, ela não tinha que saber tudo na ponta da língua. Passado alguns minutos depois de ela desaparecer pela loja a dentro volta e me pergunta:

Funcionária: Diga-me uma coisa por favor, em que publicação viu isso?

Eu: No jornal hoje de manhã (disse o nome do jornal).

Lá desapareceu a funcionária pela loja a dentro e volta depois de alguns minutos.

Funcionária: Sim temos. Preciso do seu CPF (Nº Contribuinte) e do seu RG (Identidade).

Eu: Tenho-os em casa, mas tenho comigo os respectivos documentos portugueses. Pode ser?

Lá desapareceu a rapariga novamente pela loja a dentro. Voltou passado mais alguns minutos. Confesso que aqui já estava com o nível de paciência quase a esgotar.

Funcionária: Desculpe mas a minha chefe disse que não pode ser. Só vendemos para brasileiros.

Eu: Desculpe, mas se eu vou comprar um chip PRÉ-PAGO, qual é a necessidade de eu ser brasileiro, chinês ou árabe?

Neste instante aproxima-se uma outra funcionária da loja ao pé de nós e eu, como bom crente que sou, pensava que ela iria falar comigo sobre o tema, não, simplesmente passa a maior descompostura na funcionária porque ela estava a “perder” tempo comigo quando havia outras pessoas para atender. Neste momento quando eu ia abrir a boca, as duas funcionárias saíram da minha frente e eu fiquei ali, no meio da loja, como se não existisse. Nesta altura a minha mulher puxou-me pelo braço para fora da loja, pois acreditem que se tivesse ficado ali mais 5 segundos, iria dar um espectáculo.

História Triste 2 – Imprimir um ficheiro e Digitalizar um documento

Perto de onde estava tinha uma LAN-House onde além do acesso internet ofereciam uma série de serviços. Entre estes serviços estava a possibilidade de digitalizar um documento para PDF.

Eu: Boa tarde. Preciso por favor de imprimir um documento que tenho nesta PEN e que depois possa digitalizar-me todos estes documentos para eu enviar por email.

A funcionária indica-me um dos PC’s, imprimo, preencho o que era preciso, assino e volto para o balcão para dar-lhe os documentos preenchidos para, juntamente com o meu Cartão do Cidadão Português (Identidade), poderem ser digitalizados para PDF e colocados na minha PEN.

Funcionária: Peço desculpas, mas eu só tenho ordens para digitalizar “Curriculu” (sim, ela falou tal como está escrito). Como estas folhas não são, nós não fazemos isso.

Eu: hã? Por favor, explique-me qual a diferença de digitalizar um Curriculum e digitalizar uma série de folhas A4?

Funcionária: não sei. Mas o que tenho ordens é para só digitalizar “curriculus” (piorou mais ainda no plural).

Confesso que aqui já estava a transpirar e pronto para dar um berro e chamar-lhe dos nomes mais baixos possíveis. Contive-me e para meu bem, um senhor que estava mais atrás percebeu que estava a se passar alguma coisa e veio falar comigo. Expliquei e ele levou os documentos e trouxe-me pouco depois tudo digitalizado e na PEN.

No entretanto, só fui capaz de dizer uma única coisa a funcionária:

Nunca diga não a um cliente quando não tiver a mais completa certeza do que está a dizer.

Ela olhou para mim de lado e virou para continuar a conversar com uma amiga.

História Triste 3 – Comprar roupas de ginástica

Uma das coisas que mais gostamos de comprar quando estamos no Brasil, são roupas para ginástica. A minha mulher tem em muito boa conta a qualidade da lycra brasileira. Ao passar por uma zona de lojas uns dias antes, vi na montra (vitrine) uma série de roupas de lycra e pensei comigo que deveria trazê-la ali. Os preços eram bons e os modelos e preços melhores ainda.

Dois dias depois voltei então com a minha mulher e ela foi sozinha a loja. Quando voltou para o carro estava a ferver de raiva. Estranhei o facto, pois ela até é uma pessoa muito calma. Foi ai que ela me contou o que tinha acontecido.

Ao entrar na loja, as duas senhoras que estavam ali para atender os clientes, simplesmente nem levantaram os olhos para ver quem entrava e muito menos perguntaram se podiam ajudar. Quase que não acreditava nela, até porque um dos grandes trunfos que existe em quem atende o consumidor numa loja é o facto de serem ultra-hiper-disponíveis para nos ajudar. Uma característica típica do povo brasileiro. E o pior ainda estava por vir. Delicadamente fez uma pergunta sobre uma determinada roupa e a resposta que teve foi um não sem nem sequer levantar a cabeça.

A minha mulher dizia que o ar da pessoa que atendia era algo do género “que chatice, estes clientes entram pela loja a querer comprar quando estamos aqui tão tranquilas e não fazer nada.

Penso que já entenderam como acabou esta possível venda e não vale a pena continuar.

História Feliz 1 – Senti-me mimado e bem tratado

Num dos vários dias que fui a praia com a minha mulher, num deles, a boa maneira portuguesa, levamos a nossa geleira com algumas cervejas, água e caipifrutas já feita em garrafas plásticas, tudo coberto com muito gelo para manter tudo fresquinho. Como íamos, na maior parte das vezes, ao mesmo local e associado a isso o facto de conhecermos o dono do restaurante, fez com que o empregado que atendia na praia também já nos conhecesse.

Mesmo tendo a geleira bem a mostra por baixo do único chapéu de sol que tínhamos (normalmente levo sempre dois), o empregado passado algum tempo veio com uma mesinha plástica, daquelas baixinhas e colocou ao pé de nós e disse que era para nós apoiarmos as nossas coisas. Ainda tentei dizer que não era preciso, mas ele insistiu e confesso que até deu muito jeito para apoiar os livros e até mesmo as bebidas.

Não tinha decorrido nem 15 minutos e lá voltou ele agora com mais um chapéu-de-sol. Neste momento tinha ido tomar um banho no mar e quando voltei lá tinha um chapéu mesmo por cima da minha cadeira. Que maravilha, assim já não precisa de partilhar o chapéu-de-sol com a minha mulher e podia ler a vontade o meu livro.

Passado mais algum tempo o empregado volta ao nosso local e educadamente diz que iria deixar ali a ementa do restaurante para o caso de nós termos fome e queremos pedir alguma coisa. Agora quem consegue dizer não a alguém que nos trata com tanta simpatia?

Posso dizer que mesmo tendo levado bebidas, acabamos por encomendar 2 caipirinhas (deliciosas) e fomos almoçar ao restaurante. Resultado final, todas as bebidas que tínhamos levado (excepto a água claro) voltaram para casa connosco.

Se me perguntarem qual o restaurante que devem direi sem pestanejar ondem devem ir passar um dia a ser mimado.

Pense nisso, reflicta e se puder comece também a divulgar as suas más experiências.

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